segunda-feira, 29 de março de 2010

Quando a infinita crise da GM se tornou finita

A 21 de Fevereiro de 2009 coloquei na área de blog do "AutoSport" o seguinte texto:


Quando a infinita crise da GM se tornou finita

A GM (USA) está em crise há muitos anos, tendo a sua administração convencido alguns de que tinham efectuado um bom trabalho para tornar a GM uma boa empresa.

A GM (USA) teve tantos anos para fazer um trabalho relativamente bom. Infelizmente este gigante americano passou estes anos todos a fazer asneiras. É estranho (apesar de sabermos que quem tem o poder sabe mantê-lo a todo custo, mesmo que somente em benefício próprio e não em benefício do futuro da empresa - falta de liderança) as pessoas de topo da GM não serem corridas, e sem levarem nenhum bonus. O argumento deve ser que se eles se forem embora não há quem os substitua (argumento que no século XXI já não convence).
Relativamente à Opel que fez um trabalho aceitável e que tem carros com qualidade para serem considerados como tal, a Opel esteve sempre dependente das decisões da GM américa, tendo-lhe castrado o seu desenvolvimento. No entanto, a estupidez americana é tanta que nem souberam aproveitar o maior desenvolvimento da Opel em termos de carros para aplicá-lo nas marcas americanas (pois a maioria dos carros americanos não passam de umas carroças; para obesos americanos). Pelo menos a FORD (que está bem melhor financeiramente) percebeu que a FORD Europa é tecnicamente superior à FORD USA e tem usado essa ajuda para se aguentar melhor nos USA.
A SAAB, que apesar de ser uma marca de pequeno volume, tinha algumas características diferenciadoras que deveriam servir para ter uma vida equilibrada (também financeira), ao passar para as mãos da GM foi sempre mal comandada pela GM. Os responsáveis da GM passaram todos estes anos a dizer que gostam muito da SAAB valorizando a sua cultura, no entanto, a sua enorme incompetência em deixar a SAAB ser ela própria e em desenvolver um programa claro de trabalho levou a que a SAAB nunca saísse dos prejuízos e que os vários protótipos muito interessantes que foram aparecendo nos salões, não fossem transformados em reais modelos ou quando o foram demoraram tanto tempo a estar disponíveis no mercado que perderam todo o impacto que tinham tido no início.
Tristezas que vão acabar mal, ou agora ou mais tarde.
O desaparecimento de algumas marcas será sempre bom para as que ficarem pois estas passarão a ter uma fatia do bolo a ganhar, ou seja, aumentar a sua quota de mercado, podendo mesmo corresponder a maior volume de vendas (comparado com o do ano aureo de 2007).

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FIAT dá lições de gestão às marcas americanas

A 17 de Abril de 2009 coloquei na área de blog do "AutoSport" o seguinte texto:


FIAT dá lições de gestão às marcas americanas

O CEO da FIAT, Sergio Marchionne, depois de salvar a FIAT e ter mostrado à GM o que é ser líder no sector automóvel, está neste momento a mostar à CHRYSLER como esta poderá sobreviver.

A FIAT já teve um acordo com a GM em que a GM ficaria dona da FIAT ao fim de um certo número de anos. Colaboraram essencialmente no fabrico de motores, colaboração essa que se mantém ainda hoje.
No entanto, os Italianos não foram nada parvos, e colocaram uma clausula no contrato, em que se a GM não cumprisse o acordado teria de pagar uma choruda indemnização à FIAT. Isto tudo aconteceu numa altura em que a FIAT estava quase na falência.
Como a GM faltou ao contratado teve de dar uma indemnização muito grande à FIAT, que a aproveitou para resolver os seus graves problemas financeiros. Diga-se em abono da verdade que a administração da FIAT, para além de receber este dinheiro, definiu e implementou uma estratégia de lançamento de produtos e restruturação interna que possibilitou recuperar a FIAT. É de se tirar o chapéu ao trabalho efectuado pela equipa da FIAT, encabeçada por Sergio Marchionne.
Como é do conhecimento geral a CHRYSLER está em grandes dificuldades, e a situação não tem nada de novo. A MERCEDES-BENZ tinha comprado a CHRYSLER pensando que a fusão dessas duas companhias tornaria a MERCEDES uma empresa mais poderosa e com maiores lucros. O presidente da MERCEDES da altura, Jürgen Schrempp, até se separou da sua mulher para poder dedicar-se a tempo inteiro à tarefa de comandar essa fusão. O resultado desta aventura mal conduzida foi a redução dos lucros da MERCEDES, com alguns anos de prejuízos na CHRYSLER, terminando com a venda da mesma CHRYSLER a um fundo financeiro (continuando ainda com uma pequena parte das acções da mesma, 20%, e que se pretende ver livre dela). Claro que estas mudanças aconteceram já com um novo presidente da MERCEDES-BENZ Dieter Zetsche, tendo o anterior desaparecido da circulação.
Assim, a surpresa de uma aliança entre a FIAT e a CHRYSLER foi enorme. No entanto, com se pode ver na entrevista dada por Sergio Marchionne,  http://www.theglobeandmail.com/servlet/story/RTGAM.20090414.wrfiat15/BNStory/Business ao periódico “The Globe and Mail”, a FIAT sabe bem o que pretende dessa aliança, e só a concretizará caso estejam asseguradas as condições para a mesma vingar.
Nessa entrevista Sergio Marchione disse “The minute you talk to me about historical entitlement in an organization that is technically bankrupt, it's a nonsensical discussion”, mostrando que para a Chrysler sobreviver vai ter de mudar muito. [como o acesso à entrevista pelo site anteriormente apresentado passou a obrigar a existência de password de acesso poderão ler a entrevista pelo acesso http://www.fiatgroup.com/it-it/mediacentre/interviews/Documents/The%20Globe%20and%20Mail%2015-04-2009.pdf - site do grupo FIAT].
Para quem ainda possa ter alguma dúvida de que Sergio Marchionne tem razão vejam o video desta entrevista [todos aqueles que gostam de ouvir um bom líder não devem perder este vídeo]. http://www.cnbc.com/id/15840232?play=1&video=684392780

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